Bebo
| Bebo, Inc. | |
|---|---|
| Empresa de capital fechado | |
| Atividade | Rede social |
| Fundação | Janeiro de 2005[1] |
| Fundador(es) | Michael Birch Xochi Birch |
| Encerramento | Maio de 2022 |
| Sede | Los Angeles, Estados Unidos |
| Área(s) servida(s) | Mundial |
| Produtos | Mídias sociais Software de comutação de vídeo Streaming |
| Empresa-mãe | The Monkey Inferno |
| Website | bebo.com |
| |
Bebo, pronunciado /ˈbiːboʊ/ em inglês, foi um site de rede social dos Estados Unidos que funcionou originalmente de 2005 até a falência da empresa, em 2013. Após a falência, o Bebo passou por novos lançamentos com serviços de curta duração, entre eles mensagens instantâneas e transmissão de vídeo, até ser comprado pela Amazon em junho de 2019, quando foi desativado. Em janeiro de 2021, foi anunciado que voltaria no mês seguinte como uma nova rede social. Em maio de 2022, o site já havia sido encerrado novamente, sem ter saído da fase de testes beta.
O site foi fundado por Michael Birch e Xochi Birch.
História
[editar | editar código]Fundação e primeiros anos
[editar | editar código]O Bebo foi fundado pelo casal Michael e Xochi Birch em janeiro de 2005, na casa onde moravam em São Francisco.[1] Os fundadores compraram o nome do site e criaram o retroacrônimo "Blog Early, Blog Often", em português, "Publique no blog desde cedo, publique com frequência", para responder às perguntas sobre seu significado.[2][3]
No auge de sua popularidade, o site ultrapassou o Myspace e se tornou a rede social mais usada no Reino Unido, chegando a pelo menos 10,7 milhões de usuários únicos.[4][5]
Venda à AOL
[editar | editar código]A popularidade do Bebo levou à sua venda à AOL por US$ 850 milhões em março de 2008. O casal Birch, que detinha 70% da empresa, recebeu US$ 595 milhões com a venda.[6][7] A BBC chamou a compra de "um dos piores negócios já feitos na era das pontocom".[8] A aquisição também custou o cargo ao então diretor executivo da AOL, Randy Falco.[9]
Em 7 de abril de 2010, a AOL anunciou que venderia o site ou o encerraria, sobretudo pela queda no número de usuários únicos, que migravam para o concorrente Facebook. A empresa afirmou que o Bebo não tinha condições de competir com outras redes sociais e que não poderia assumir o esforço necessário para mantê-lo na disputa. A AOL enfrentava dificuldades financeiras.[10]
O radiotelescópio RT-70 da Agência Espacial Nacional da Ucrânia transmitiu 501 mensagens escolhidas pelos usuários do Bebo em direção ao planeta Gliese 581 c, em uma iniciativa chamada A Message From Earth, em português, "Uma mensagem da Terra". A transmissão ocorreu em 9 de outubro de 2008, com chegada prevista para a primavera de 2028 no hemisfério norte.[11][12][13]
Transferência para a Criterion Capital Partners
[editar | editar código]Em 16 de junho de 2010, a AOL vendeu o Bebo à Criterion Capital Partners, gestora de fundos de investimento.[14][15]
Em 17 de fevereiro de 2011, o Bebo apresentou um novo visual, com cabeçalho e página inicial redesenhados, além de uma nova opção de organização dos perfis. Os usuários também podiam ver quem havia visitado seus perfis, recurso que podia ser alterado nas configurações. Em abril de 2011, o site ganhou um novo sistema de notificações. Um menu no cabeçalho permitia consultar as mensagens recebidas e as atividades recentes dos amigos no Lifestream, sem precisar voltar à página inicial.[16]
Em 30 de janeiro de 2012, o Bebo ficou inacessível por 36 horas e voltou a funcionar normalmente na madrugada de 1 de fevereiro. Um porta-voz disse ao TechCrunch que a interrupção se devia a "uma puta confusão técnica".[17] Adam Levin, diretor executivo do Bebo e da Criterion Capital Partners, afirmou que a equipe tentava lançar novos recursos quando o site saiu do ar. Nenhum dado foi perdido. A interrupção levou usuários a acreditar que o Bebo havia acabado de vez, e a hashtag #bebomemories entrou nos assuntos mais comentados do Twitter em todo o mundo.[18]
2013: falência e venda
[editar | editar código]Em maio de 2013, a empresa apresentou voluntariamente um pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11 da legislação dos Estados Unidos.[19][20] A administradora judicial Burke Capital Corporation afirmou que o Bebo estava "saudável" e "em funcionamento". O pedido, apresentado em 9 de maio em Los Angeles, buscava "reestruturar algumas ineficiências operacionais e outros acordos onerosos".[21]
Em 1 de julho de 2013, Michael e Xochi Birch, os fundadores da rede social, recompraram o Bebo da Criterion Capital Partners por US$ 1 milhão.[22][23]
Em 6 de agosto de 2013, avisos publicados no Bebo.com informaram que o site ficaria fora do ar para manutenção a partir do dia seguinte. Em 7 de agosto, um vídeo com Michael Birch foi publicado na página inicial. Nele, o fundador anunciou seus planos para o novo Bebo e explicou que o site seria desativado enquanto a equipe desenvolvia o produto. Muitos usuários esperavam uma manutenção rotineira, mas o fechamento duraria alguns meses. O anúncio também informava que o conteúdo dos usuários havia sido removido e que as publicações dos blogs e as imagens poderiam ser recuperadas em arquivos para download, mediante solicitação.[24] Em fevereiro de 2015, o Bebo já permitia recuperar fotografias e publicações antigas por meio do novo aplicativo.[25]
2014–2016: volta do Bebo e criação do Blab
[editar | editar código]Em abril de 2014, Michael Birch apareceu em um vídeo bem-humorado no Bebo para divulgar o relançamento do site com o slogan "Provavelmente não é para gente sem graça". O vídeo retomava o passado do Bebo e o quadro de desenhos, que havia sido seu recurso mais popular.[26]
O Bebo voltou em dezembro de 2014 como um aplicativo de mensagens, disponível no Google Play e na App Store da Apple.[27] A equipe também desenvolveu o Blab, um serviço de transmissão de vídeo que chegou a 3,9 milhões de usuários em um ano. O Blab foi encerrado em agosto de 2016, pois os usuários não voltavam à plataforma para assistir às gravações das transmissões.[28] Shaan Puri, diretor executivo do Blab, escreveu:
O Blab era ótimo em muitos aspectos, mas não se tornaria parte do dia a dia de milhões de pessoas. Por isso, estamos derrubando o castelo de areia e reconstruindo-o como um lugar "sempre aberto" para passar o tempo com os amigos.[28]
2017–2018: software de transmissão do Bebo
[editar | editar código]Em 19 de abril de 2018, o site oferecia um programa para transmissões na Twitch, com recursos semelhantes aos do Open Broadcaster Software e do XSplit. O programa foi descontinuado em outubro de 2018, quando a empresa passou a se concentrar em software para torneios.
2019: venda à Amazon
[editar | editar código]Em junho de 2019, a Amazon, por meio de sua subsidiária Twitch Interactive, comprou o Bebo por US$ 25 milhões, após superar uma oferta do Discord.[29][22]
2021–2022: relançamento
[editar | editar código]No início de 2021, o Bebo.com começou a exibir mensagens que anunciavam a proximidade de um novo relançamento. Em uma entrevista de 3 de fevereiro, Michael Birch apresentou seus planos para uma rede social centrada nos perfis individuais. Os feeds de notícias, que haviam se espalhado pelas outras redes sociais, teriam menos destaque.[30]
2022: segundo encerramento
[editar | editar código]Em maio de 2022, o Bebo já havia sido encerrado novamente, sem ter saído da fase de testes beta restritos a convidados. O site passou a exibir uma declaração de Michael Birch sobre as tentativas de trazer o Bebo de volta. Sobre a possibilidade de um novo relançamento, Birch respondeu: "Quem sabe".[31]
2026: segundo relançamento
[editar | editar código]Em abril de 2026, a página do Bebo no Facebook anunciou um novo lançamento "nos próximos dias".[32]
Recursos do site original
[editar | editar código]Os usuários tinham uma página de perfil pessoal onde podiam publicar blogs, fotografias, músicas, vídeos e questionários que outras pessoas podiam responder. Também podiam adicionar amigos, enviar mensagens e atualizar seus perfis para compartilhar novidades com eles.[1]
Todo perfil do Bebo tinha uma seção de comentários, onde outros usuários podiam deixar mensagens, e uma lista de amigos. Havia outros módulos que o usuário podia acrescentar. Ao criar uma conta, o perfil era privado por padrão e só podia ser acessado pelos amigos. A opção "Perfil público" o tornava visível a qualquer membro do site. A aparência podia ser personalizada com um modelo gráfico chamado skin, que formava o fundo da página. Os perfis também podiam ter questionários de múltipla escolha, enquetes nas quais os amigos podiam votar e comentar, álbuns com até 96 imagens cada, blogs com seção de comentários, listas de bandas favoritas e listas dos grupos dos quais o usuário participava. Era possível acrescentar uma "caixa de vídeo" com conteúdo incorporado diretamente do YouTube ou copiado da página de um fornecedor de conteúdo do Bebo.
O site também oferecia os seguintes recursos:
- Lifestream: exibia atualizações, como fotos enviadas, alterações nas caixas de conteúdo em Flash e novos vídeos e amigos. Também permitia acompanhar as publicações dos amigos no Facebook, no Twitter, no Flickr e em outros serviços, desde que eles tivessem conectado essas contas ao perfil do Bebo.
- Bebo Mobile: a versão do site para dispositivos móveis foi lançada no início de 2006. Em 2007 e em 2010, recebeu atualizações para acompanhar o visual e os recursos da versão completa.
- Bebo Authors: lançado em 22 de fevereiro de 2007 e também chamado de Bebo Books, era um espaço onde autores podiam publicar capítulos de seus livros e receber avaliações por meio de um módulo próprio.
- Bebo Groups: em 10 de julho de 2007, o módulo "Grupos" foi acrescentado às páginas. Ele permitia visualizar grupos que antes pertenciam às redes de escolas e só podiam ser vistos pelos membros dessas escolas. O Bebo também oferecia a opção de transformar páginas de autores ou bandas em grupos.[33]
- Bebo Chat: lançado em 2011 junto com outras atualizações, permitia conversar com outros usuários por meio de um complemento do Meebo com a marca Bebo. Também era possível alterar a frase pessoal exibida no perfil e o status de disponibilidade, além de acessar outras páginas do Bebo e ofertas especiais. O recurso incluía uma ligação para a página do Bebo no Facebook, onde os usuários podiam clicar em "Curtir" e receber atualizações.
Sistema do Bebo
[editar | editar código]O Bebo usava servidores com o Resin Server e o sistema Oracle Database. A estimativa era de que tivesse entre 5.000 e 8.000 servidores Phantom4, fornecidos pela Rackable Systems, com mais de 100 TB de espaço em disco no total.
Plataforma aberta de mídia
[editar | editar código]Anunciada em 13 de novembro de 2007, a Open Media Platform permitia que empresas distribuíssem conteúdo à comunidade do Bebo. Os fornecedores podiam usar seus próprios reprodutores de mídia dentro do site e obter receita com os anúncios exibidos neles. Cada fornecedor tinha uma página preparada para vídeos, com conteúdo em Adobe Flash no alto do perfil. Entre as empresas que aderiram ao serviço estavam a CBS, a Sky, a Ustream.tv, a BBC e a Last.fm.
Plataforma aberta de aplicativos
[editar | editar código]O Bebo aderiu ao OpenSocial, um conjunto de interfaces de programação de aplicações compartilhadas para criar aplicativos sociais na web. A empresa anunciou planos para uma plataforma voltada a desenvolvedores e prometeu divulgar mais detalhes. A Open Application Platform foi lançada em dezembro de 2007 com pouco mais de cinquenta aplicativos e passou a abrigar centenas deles.
Privacidade e segurança
[editar | editar código]Falha de privacidade em um provedor da Nova Zelândia
[editar | editar código]Em 21 de maio de 2008, alguns usuários da Nova Zelândia tiveram, por um breve período, acesso completo às contas de outras pessoas.[34] Os engenheiros de rede do Bebo localizaram o erro em um servidor proxy mal configurado de um provedor de acesso à internet do país. A configuração foi corrigida. O provedor aparentemente interferia no armazenamento em cache, fazendo com que alguns clientes recebessem cookies e dados de outros usuários. A causa provável era o uso de endereços IP dinâmicos pelo provedor.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 3 Burkeman, Oliver (4 de novembro de 2006). «Bebo, Michael and Xochi Birch». The Guardian (em inglês). Londres. Consultado em 14 de junho de 2010
- ↑ Davis, Evan (2 de julho de 2011). «The Future of the Web» (Áudio). The Bottom Line (em inglês). BBC Radio 4. Consultado em 9 de janeiro de 2015
- ↑ Garfield, Simon (18 de junho de 2006). «How to make 80 million friends and influence people». The Observer (em inglês). The Guardian. Consultado em 2 de março de 2015
- ↑ O'Hear, Steve (14 de agosto de 2007). «Bebo overtakes MySpace in the UK» (em inglês). ZDNet
- ↑ Hempel, Jessi (19 de setembro de 2007). «Bebo's British invasion». Fortune (em inglês). Consultado em 2 de março de 2015. Arquivado do original em 11 de novembro de 2007
- ↑ Edgecliffe-Johnson, Andrew (13 de março de 2008). «AOL to 'supercharge' Bebo revenues». Financial Times (em inglês). Londres, Reino Unido. Consultado em 2 de março de 2015
- ↑ «AOL acquires Bebo social network». BBC News (em inglês). 13 de março de 2008. Consultado em 2 de março de 2015. Cópia arquivada em 15 de março de 2008
- ↑ «Bebo sold by AOL after just two years». BBC News (em inglês). 17 de junho de 2010. Consultado em 2 de março de 2015
- ↑ Swisher, Kara (7 de abril de 2010). «Bebo Not Worth a Pail of Spit to AOL? This Comes as a Shock to Exactly–Hmm–No One.» (em inglês). All Things D. Consultado em 2 de março de 2015
- ↑ «AOL planning to sell or close Bebo». RTÉ News (em inglês). RTÉ. 7 de abril de 2010. Consultado em 2 de março de 2015
- ↑ Page, Lewis (9 de outubro de 2008). «Bebo users release interstellar spamgasm at Gliese 581». The Register (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2025
- ↑ «Thank you to all the Bebo users who took part in A Message From Earth». Bebo (em inglês). 17 de outubro de 2008. Consultado em 14 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 12 de outubro de 2013
- ↑ «ATTENTION SETI scientists! It's TOO LATE: ALIENS will ATTACK in 2049». The Register (em inglês). 13 de fevereiro de 2015. Consultado em 14 de fevereiro de 2015
- ↑ «AOL To Sell Bebo to Criterion Capital Partners». Business Insider (em inglês). 16 de junho de 2010. Consultado em 3 de janeiro de 2013
- ↑ «Criterion Capital Partners Acquires Bebo from AOL». Business Wire (em inglês). 17 de junho de 2010. Consultado em 3 de janeiro de 2013
- ↑ Garg, Akash (11 de abril de 2011). «New Lifestream and Notifications System». Official Bebo Blog (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2026
- ↑ Ha, Anthony (30 de janeiro de 2012). «Is Bebo Finally Dead? (Update: Not Quite)». TechCrunch (em inglês)
- ↑ McCarra, Darren (30 de janeiro de 2012). «Bebo may have just shutdown». The Sociable (em inglês)
- ↑ «Social Network Bebo Has Filed A Voluntary Chapter 11 Bankruptcy Petition» (em inglês). TechCrunch. 9 de maio de 2013
- ↑ «Burke Capital Corporation» (PDF). burkecapital.net (em inglês)
- ↑ Hoge, Patrick (15 de maio de 2013). «Bebo files for Chapter 11 bankruptcy». San Francisco Business Times (em inglês)
- 1 2 «Amazon's Twitch acquired social networking platform Bebo for up to $25M to bolster its esports efforts». TechCrunch (em inglês). Consultado em 25 de agosto de 2020
- ↑ «Twitch Buys Bebo In eSports Push». PYMNTS.com (em inglês). 18 de junho de 2019. Consultado em 25 de agosto de 2020
- ↑ Clifford, Catherine (7 de agosto de 2013). «Bebo Founder Buys Back His Website for $1 Million and Shuts It Down Right After». Entrepreneur (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2026
- ↑ Byrne, Nicola (3 de fevereiro de 2015). «Here's how to get those old Bebo photos back». The Daily Edge (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2026
- ↑ Cook, James (10 de dezembro de 2014). «After Selling For $850 Million, Failed Social Network Bebo Is Relaunching As Something Much Cooler». Business Insider (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2015
- ↑ Temperton, James (18 de dezembro de 2014). «Bebo back from the dead as a bizarre messaging app». Wired (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2026
- 1 2 Kolodny, Lora (14 de agosto de 2016). «Blab shuts down, founders promise new app on the way». TechCrunch (em inglês)
- ↑ Hern, Alex (18 de junho de 2019). «Game streaming site Twitch buys social network Bebo». The Guardian (em inglês)
- ↑ «Bebo chief reveals plan to take on Facebook and Twitter». BBC News (em inglês). 3 de fevereiro de 2021
- ↑ «Bebo». Bebo (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2022
- ↑ «Relaunch of Bebo announced». Facebook (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ «Group Surf». Bebo (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2015. Arquivado do original em 11 de maio de 2013
- ↑ «Glitch opens Bebo users' private details to others». The New Zealand Herald (em inglês). 22 de maio de 2008. Consultado em 3 de janeiro de 2013
Ligações externas
[editar | editar código]- Site oficial em inglês
- Exclusive look at Bebo, reportagem do Wikinotícias em inglês